
O mercado imobiliário não está sem dinheiro; ele está mudando de mãos.
Em poucas imagens, dá para entender uma mudança estrutural no mercado de capitais imobiliário: o dinheiro continua existindo, mas ele está mudando de forma, origem e lógica de acesso.
Para o empreendedor imobiliário, isso exige mais sofisticação financeira e menos dependência de modelos tradicionais.
O volume de financiamentos com recursos da poupança caiu quase 14% no último ano. Em termos absolutos, o saldo da poupança encolheu cerca de R$ 62 bilhões em apenas 12 meses.

Mesmo com medidas pontuais – como a redução do compulsório – o efeito é apenas de curto prazo. A tendência estrutural é clara: a poupança deixa de ser uma fonte crescente e previsível de funding para o setor imobiliário.
O mercado não está “secando”. Ele está migrando.
Enquanto a poupança perde espaço, os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) seguem em trajetória de crescimento consistente. O estoque do mercado atingiu aproximadamente R$ 260 bilhões, um crescimento superior a 30 vezes em seis anos.

Esse movimento não é apenas quantitativo. Ele reflete uma mudança de mentalidade:
O CRI deixa de ser exceção e passa a ser pilar central do funding imobiliário.
Os fundos imobiliários somam hoje cerca de R$ 115 bilhões em patrimônio, atravessando um dos ciclos mais desafiadores de juros da história recente.

Mais relevante do que o tamanho é a evolução do modelo:
Os FIIs mostram que, mesmo em ambientes adversos, estruturas flexíveis conseguem continuar captando e alocando capital.
As emissões via plataformas de crowdfunding atingiram cerca de R$ 3,9 bilhões, um crescimento de mais de 1.600% em três anos. Pelo menos 25% desse volume já está ligado ao setor imobiliário.

Aqui, o destaque não é apenas o volume, mas o papel estratégico:
O crowdfunding deixa de ser marginal e passa a integrar o toolkit financeiro de muitos projetos.
O diagnóstico correto é: não falta capital e nem vai faltar.
Mas o dinheiro disponível muda: fica mais técnico, mais seletivo e menos tolerante a improviso.
Atrair capital na próxima década exigirá do empreendedor imobiliário novas competências: estruturação financeira, narrativa clara de risco, governança e capacidade de dialogar com diferentes fontes de funding.
O jogo não acabou. Ele ficou mais sofisticado.
O primeiro programa destinado a empreendedores e investidores imobiliários